quinta-feira, 21 de junho de 2012

Brincadeira - V - Bolso


O bolso está vazio...
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio,
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio,
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio,
O bolso está vazio, o bolso é vazio
O bolso vazio, o bolso vazio está
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso vazio, está o bolso vazio
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, vazio
Vazio está o bolso, o bolso vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso vazio, o bolso está vazio
A folha está cheia, muito cheia,
Mas o bolso...
O bolso está vazio

Amar


Amar sem alguém em vista,
Adorar trocar olhares risonhos e beijar a testa,
Andar de mãos dadas, somente para ver a noite passar,
Abraçar pelo frio, que esquece os solitários,
Gostar de repetir os gestos, que rotineiros,
Aos olhos de um pintor de Veneza,
Traduziria um moço e uma moça apaixonados pela marca da eternidade.
Amar sem alguém em vista,
Ser capaz de amar o cheiro da bela moça alheia
"Como é mesmo o nome dela?",
E a amaria com delicados beijos
E a amaria sem receio de chamá-la de linda, girá-la ao espaço
E não preocupar-se em ser amor de mais, para que ela desista de seu abraço.
Não é preciso metáfora,
É lindo e puro, ter dois dias, e ter um dia, e ter uma, meia-hora de amor eterno
E ser convidado, para estar lado a lado,
Na certeza que o inverno se dissipará com íntimo toque
Com terno beijo, com delicadas mordidas...
Ah, o desejo de amar,
Esse fogo, já aceso, buscando a quem queimar,
A quem lamber com as chamas,
A quem, com suavíssimo toque,
A quem, com olhos utópicos,
A quem, com doce voz acalentar,
Amar, amar e amar,
E amá-la...
Um beijo,
Um beijo...

Parabéns


Não poderia eu,
De forma diferente
Dar-te o que é teu
Como se fosse um presente, este soneto.

És de floricultura beleza
Essa garota que hoje faz anos
A quem desejo riqueza
Não menos do que amor, paz, vida, por outros mais e longos

Mas é claro que saúde, sucesso,contam também
E é claro que existe todo o mistério,
Que se revela com a delicada carícia

Carícia esta, deste soneto de parabéns,
Que quer de todo o universo, de hemisfério a hemisfério, 
Demonstrar toda a felicidade do mundo para você,Urbe Letícia.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Haverá ela.



Haverá nela, todo o resplandecer do sol, para me alegrar às chatas manhãs tardias de domingo;
Haverá nela, todo o THC que preciso, e sustento meu vicio, e ela sempre vai se esquecer da última música do Led Zeppelin tocada atrás de nós dois;
Haverá nela a dúvida dos livros, e a sabedoria do conteúdo misterioso de seus olhos;
E haverá também uma risada alta, de acordar os vizinhos, e ter de forçar ficar calada com a mão na boca, para os passarinhos que dormem empoleirados na nossa janela, e ela os detestará, também;
Haverá nela, um sabor delicioso na hora de dormir, para consumir o amor, e ela sempre terá uma barra de chocolate para antes ou depois e vai tentar fumar escondida, nada que tenha problema;
Ela vai ter um abraço, mais forte que aço, mas que será frágil ao toque da mecha de cabelo para trás da orelha e o beijo na testa;
E haverá uma dependência forte de  minhas palavras, mas vai ficar muito brava, ao acaso, de eu esquecer a data do raio que o parta e não haverá qualquer poesia que a reconcilie, e vai ficar com um bico enorme até esquecer;
Haverá as brincadeiras de sábado, e ela vai adorar comer beijinho e beber água em seguida e vai querer ver filmes chatos, mas vai chorar quando Frodo voltar para casa – pela quadragésima vez;
Haverá um querer de amores, por estar de TPM e vai me dizer coisas absurdas, e vai ser muito linda pedindo desculpas;
E ela vai receber flores, meus amores e poesias serão apenas dela, porque é só ela que terá meu amor por ela;
Haverá nela uma critica obscura de meus personagens fictícios, como que se adivinhasse que não era aquilo que devia acontecer;
Haverá nela o segredo de todas as mulheres, também, para haver graça, para haver todo um clima pecaminoso, mas quando me homenagear com janta – isto é, se eu já não houver feito primeiro – será mais que santa;
E haverá toda a prateada lua nela, nas noites de cansaço, pois nada melhor para poeta, do que a lua por perto, e abraçado contigo.
E haverá nela, enfim, todo o meu amor depositado;
Todos os novos adjetivos inventados;
Todos os odores de flores nos cabelos e abraços;
E haverá nela, todo o amor por mim,
E toda a poesia haverá nela,
E toda a embriagues boêmia,
Mas nunca haverá nela toda a perfeição,
Só isso, já é o suficiente – é brincadeira -,
Mas, que seja, haverá nela, ao menos, o beijo mais amoroso e feliz do mundo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Noite, com amor


Amor é uma hisória má contada
Hipótese desgraçada
Súbita dúvida - madrugada
Noite insone.

Amor, beijo dado, é ilusão
Criação desejada
Alma mal tratada
Noite sozinha.

Amor, meu amor, é casa vazia
Circunstância realizada
Sexo, terra ilhada
Noite sussurada

Amor é dar risada e pedir beijo
Amar é trapaça premeditada
Anos de mesma cor e fala
Noite, que eu te amo. 

Soneto da lua tão distante


Como és possível em teu gesto,
O Universo, se expelir assim?
Rota tua órbita, em teus olhos ausentes,
Em tuas lacrimestrêlas, Yasmin - lua tão distante.

Espaço, gravitacional atração,
De querer teu abraço
Beijar-te na rotação lenta de Júpiter
E sofrer, sofrer por não ter-te comigo

É um ínfimo desejo
Como um lampejo de cometas
É como nunca supus

Estar desse modo, tão perto
Iluminado por ti, tão certo,
E tão distante, a cinco anos-luz de saudades

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Meu coração fala comigo


Tum-tum
Tum-tum
Tum-tum
Meu coração fala comigo.

 Sei que não é a primeira vez que ele me fala
 Mas mais uma vez ouçô-o revirar-se sobre meu peito
Tum-tum, estou sozinho, tum-tum, estou sozinho
Desculpe-me coraçãozinho, pequeno, também estou sem companhia

Sozinho, e nem o vento vem me falar
E ninguém perderia seu tempo conosco, figindo sê-lo
Talvez inventaria uma personagem e a deixaria entrar
E talvez, coração, minha face melancólica causasse medo

Tum-tum
Tum-tum
O que há de errado com minha voz e meus olhos?
Por que, tum-tum, isso causa muros altos nas pessoas?

Qual o problema?, pergunta meu coração que sinto-o velho
Sinto-o enrugado, e murcho como que se sugado e cinzentado
Qual o problema de dizer-me "oi" com um sorriso no rosto, meu Deus?
Tum-tum

Às vezes, pobre coração, uma troca de olhar, e um beijo no rosto do dia
Não em minha face esquerda, mas do dia, facilitaria todo o vermelho
Que há de desabrochar no cinzento de meu peito, então carcomido
Tum...

O que há errado, coraçãozinho? Bateram em ti?
Meu coração, fala comigo!
Não me deixe único e sozinho nesse espaço infinito e escuro
Não faça a ausência, há muito perigo na ausência...

Há silêncio na ausência e há um olhar que passa sem sorriso
E meu dia não vale mais nada e machuca, como machuca, Pai,
Ver você passar, pessoa, qualquer amigo, sem dizer nada,
Há um REI morando em seu umbigo, ai... Há um REI em seu umbigo.

Que dor, que dor, que dor, que dor!
Fala comigo! Dê-me um olá e me dê um sorriso, não peço demais
Não quero seu abraço, não quero seu beijo, basta amor!
Céus, um Olá pelo menos, tanto faz, tanto faz...

Meu coração fala comigo e sei que não é a primeira vez que ele me fala
Mas já foi-se seu tempo jovem, e as pessoas apodrecem-no
Tum-tum... Volta coração! Volta, e grita, e não te cala!
Ao menos diga-me um oi, coraçãozinho, volte! Por favor...

Como é triste falar um oi, e notar que foi em vão e sozinho
Nem meu coração mais fala comigo
Velho, idoso, morto, desintegração de coração, triste
Meu, único e saudoso, e reverenciável amigo, não me deixe sozinho

Tum-tum
Tum-tum
Tum-tum
Oi, coraçãozinho...