sábado, 18 de agosto de 2012

Elegia do Suicídio Inalcançado

Click-click, click-click, click-click
Click-click, click-click, click-click
A luz vermelha acende
(click-click)
Está nos meus olhos,
E dentro da consciência
(click-click)
Um pino soltou,
A bomba relógio desatou
A disparar em regressiva,
Todas minhas engrenagens
Rolam em sentido contrário,
Anti-horário e
(click-click, click-click)
A luz vermelha me dá vertigens.
"Agora!", fecho os olhos, mas
A combustão nunca ocorre,
Não é a hora de minha implusão.
As lágrimas correm por dentro
Na tentativa de afagar
As chamas de minha liberdade
Essa emoção
(click-click)
Tão covarde.
Súbito um metal frio surge
Em minha mão, basta
Um click para jorrar
O Suco cefálico
(click-click)
É catastrófico o não-poder De mim.
Click-click, click-click, click-click
Click-click, click-click, click-click
"NÃO!"
A luz vermelha pisca
E sinto ódio!(click)
"PARE!" click-click
Ocorre que não estou
Sozinho. Há milhares
De pessoas no meu
Caminho (click-click)
E à volta (click-click),
Ouço (click-click)
Cada (click-click)
Bomba (click-click)
Relógio (click-click)
De pinos presos
E luz apagada,
Sinto desprezo,
Quantos idiotas,
Tic-tac, dizem eles,
Num (click-click)
Fluxo progressivo.
Tic (click) Tac (click)
Seus pinos estão presos
Tic-tic-tic-tic, tic tac
Deram corda a eles,
Quero morrer, expluda, inferno!
Para matar todos eles!
(click-click-click-click)
Tic Tic Tic Tic Tic Tic
Tic Tic Tic Tic Tic Tic
Tac
Tudo isso...
É tão sórdido...
Implantaram um campo
De concentração em
Cada um.
(click-click)
E o que eles expelem
De boca fechada
(click-click)
(Quero morrer!)
É gás venenoso.
(E renascer outrora)
Click-click
Tic Tac
Eis engrenagens
Continuam a girar
Versa-verso e inversamente
E vejo a luz vermelha piscar,
Está em meus olhos
(click-click)
E enquanto eu não impludir
Nem tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
Expressão tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac, Poesia,
tic tac, Restarão tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
tic tac tic tac tic tac
E me tornarei mais um deles...

Mensagem de namorado -IV

Porque beijar-lhe a boca é algo que me ilumina tanto quanto o sol que está por nascer atrás de colinas verdes de rochedos cinzentos depois de uma garoa de amanhecer,
E são os seus olhos que enchem de cor o meu mundo e eu posso ver tudo com as sete cores do arco-íris, como um movimento psicodélico.
E também seu toque é como a liberdade de deitar em folhas de um outono que nunca veio, sobre um gramado repleto de bichos minúsculos, que fazem parte do ciclo de toda a natureza. E além de tudo, te ver nua caminhando de mãos dadas com o céu e a terra, me mostrando como é o paraíso que todas as pessoas deixaram para trás por luxo e outras fraquezas indomáveis, e que pisam sobre ele com concreto e granada.
E sua temperatura, que faz permanecer o sangue quente estando ao meu lado.
Porque te abraçar é como ter minha vida em mãos, e eu te amaria para sempre se o tempo não fosse relativizado, então, ao contrario disso, te amaria como uma parte de mim, que só iria embora de meu pensamento, no momento em que eu partisse.
Mas teria filhos com você, porque é a clara evidência de que iríamos criá-los sobre o lado de lá do prisma.
E moraríamos juntos, junto a árvores anciãs, plantando frutas, pescando peixes e lendo poesias para nossos filhos com pés na água corrente, gelada e límpida num toque de tarde.
Nossa vida seria lindíssima, longe de qualquer poluição egoísta, com fumaça tóxica, concreto tóxico, e falas tóxicas daquilo que eles chamam de sociedade.
E não haveria outra maneira de te amar, pois com você o mundo é perfeito,
E não há sensação mais deliciosa de dormir contigo, uma reflexão profunda de toda a natureza verde com ramos e ramas, e acordar para você fazer meu mundo de novo.
Eu te amo e enquanto eu não por os pés em Saturno, não mudo de opinião.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Página 77


Ela não sabe onde olha
E ela não sabe quem vê
E tampouco, as horas, ela não sabe
Mas ela olha, olha o quê?

Ela está sentada,
Pernas cruzadas
Ela esboça um sorriso
Mas ela já toma siso 

Livro aberto em sua frente
Perde o sorriso,
Olha de repente
E me vê... Dou-lhe um aceno

Finge que não me vê
Vira de lado, abre um sorriso
Eu vejo, passo, ela volta a ler
Página 77, é de poesia, sem compromisso

É uma menina assim!
Penso eu, assim que eu preciso!
Já vou-me concluindo,
Passo a passo, piso por piso

Imagino, que menina de olhos perdidos...
Ela vê o infinito, tem o livro de poesia
Quando volto, flores nas mãos, cartão colorido
A menina já se foi, a menina que eu queria

Então, lágrima vem, onde está ela?
Faço um livro,escrevo poesia
Uma por uma e penso nela
Aquela menina, daquele outro dia

Aquela menina, daquele outro dia
Nunca mais a vi...
Já ela, página 77, sempre lia
Daquele livro que eu escrevi.

Brincadeira - V - Bolso


O bolso está vazio...
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio,
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio,
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio,
O bolso está vazio, o bolso é vazio
O bolso vazio, o bolso vazio está
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso vazio, está o bolso vazio
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso está vazio, vazio
Vazio está o bolso, o bolso vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio
O bolso está vazio, o bolso vazio
O bolso vazio, o bolso está vazio
O bolso vazio, o bolso está vazio
A folha está cheia, muito cheia,
Mas o bolso...
O bolso está vazio

Amar


Amar sem alguém em vista,
Adorar trocar olhares risonhos e beijar a testa,
Andar de mãos dadas, somente para ver a noite passar,
Abraçar pelo frio, que esquece os solitários,
Gostar de repetir os gestos, que rotineiros,
Aos olhos de um pintor de Veneza,
Traduziria um moço e uma moça apaixonados pela marca da eternidade.
Amar sem alguém em vista,
Ser capaz de amar o cheiro da bela moça alheia
"Como é mesmo o nome dela?",
E a amaria com delicados beijos
E a amaria sem receio de chamá-la de linda, girá-la ao espaço
E não preocupar-se em ser amor de mais, para que ela desista de seu abraço.
Não é preciso metáfora,
É lindo e puro, ter dois dias, e ter um dia, e ter uma, meia-hora de amor eterno
E ser convidado, para estar lado a lado,
Na certeza que o inverno se dissipará com íntimo toque
Com terno beijo, com delicadas mordidas...
Ah, o desejo de amar,
Esse fogo, já aceso, buscando a quem queimar,
A quem lamber com as chamas,
A quem, com suavíssimo toque,
A quem, com olhos utópicos,
A quem, com doce voz acalentar,
Amar, amar e amar,
E amá-la...
Um beijo,
Um beijo...

Parabéns


Não poderia eu,
De forma diferente
Dar-te o que é teu
Como se fosse um presente, este soneto.

És de floricultura beleza
Essa garota que hoje faz anos
A quem desejo riqueza
Não menos do que amor, paz, vida, por outros mais e longos

Mas é claro que saúde, sucesso,contam também
E é claro que existe todo o mistério,
Que se revela com a delicada carícia

Carícia esta, deste soneto de parabéns,
Que quer de todo o universo, de hemisfério a hemisfério, 
Demonstrar toda a felicidade do mundo para você,Urbe Letícia.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Haverá ela.



Haverá nela, todo o resplandecer do sol, para me alegrar às chatas manhãs tardias de domingo;
Haverá nela, todo o THC que preciso, e sustento meu vicio, e ela sempre vai se esquecer da última música do Led Zeppelin tocada atrás de nós dois;
Haverá nela a dúvida dos livros, e a sabedoria do conteúdo misterioso de seus olhos;
E haverá também uma risada alta, de acordar os vizinhos, e ter de forçar ficar calada com a mão na boca, para os passarinhos que dormem empoleirados na nossa janela, e ela os detestará, também;
Haverá nela, um sabor delicioso na hora de dormir, para consumir o amor, e ela sempre terá uma barra de chocolate para antes ou depois e vai tentar fumar escondida, nada que tenha problema;
Ela vai ter um abraço, mais forte que aço, mas que será frágil ao toque da mecha de cabelo para trás da orelha e o beijo na testa;
E haverá uma dependência forte de  minhas palavras, mas vai ficar muito brava, ao acaso, de eu esquecer a data do raio que o parta e não haverá qualquer poesia que a reconcilie, e vai ficar com um bico enorme até esquecer;
Haverá as brincadeiras de sábado, e ela vai adorar comer beijinho e beber água em seguida e vai querer ver filmes chatos, mas vai chorar quando Frodo voltar para casa – pela quadragésima vez;
Haverá um querer de amores, por estar de TPM e vai me dizer coisas absurdas, e vai ser muito linda pedindo desculpas;
E ela vai receber flores, meus amores e poesias serão apenas dela, porque é só ela que terá meu amor por ela;
Haverá nela uma critica obscura de meus personagens fictícios, como que se adivinhasse que não era aquilo que devia acontecer;
Haverá nela o segredo de todas as mulheres, também, para haver graça, para haver todo um clima pecaminoso, mas quando me homenagear com janta – isto é, se eu já não houver feito primeiro – será mais que santa;
E haverá toda a prateada lua nela, nas noites de cansaço, pois nada melhor para poeta, do que a lua por perto, e abraçado contigo.
E haverá nela, enfim, todo o meu amor depositado;
Todos os novos adjetivos inventados;
Todos os odores de flores nos cabelos e abraços;
E haverá nela, todo o amor por mim,
E toda a poesia haverá nela,
E toda a embriagues boêmia,
Mas nunca haverá nela toda a perfeição,
Só isso, já é o suficiente – é brincadeira -,
Mas, que seja, haverá nela, ao menos, o beijo mais amoroso e feliz do mundo.