Olhos, olhos, olhos
Olhos, olhos, olhos
Na Universidade
O que tanto eles vêem?
Essa visão humana,
Essa exata, biológica
Futura enfermeira, contador,
Desempregado, Engenheiro, psicopata
Olham, olham, olham,
Na Universidade
Mas que tanto eles vêem?
Nos corredores passo fantasmagórico
E eles olham, olham, olham
Pela Universidade
Moça bonita, futuro Advogado,
Fisioterapeuta, blusinha azul
Olha e me olha, passa e anda
Pela Universidade
Bloco três, tantos olhos
Vêem tudo, sociologia
Estudam todos,
Olhos, olhos, olhos
Casados, Ensino Médio, aposentados
Técnicos, eletricistas, divorciados
Solteiros, namorados amigos
Olhando tanto, o que eles vêem
Na Universidade?
É tanta gente,
Tanto povo, número,
Vida e olhos, olhos
Olhos, na Universidade
Que me olham,
Acadêmicos ou não,
Moços, moças,
Todos, na Universidade.
E eu, ando
Livro na mão
Passo nos corredores
E olho, olho, olho
Olhos, olhos, olhos,
Na Universidade
Mas não encontro nada
Em tantos olhos
Pela Universidade
Mas me respondam,
Por favor, Universitários
O que tanto vocês,
Olham, olham, olham
Olham, olham, olham
Na Universidade?
quinta-feira, 29 de março de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Moça de estrela vertente
Moça de estrela vertente,
Teus olhos me convidam unicamente
A te desejar e
Te chamar de linda,
Mas acontece
Que nem os astros a traz
E míngua
Uma esperança querida
De te ver
Doce e quente
Desejando meu beijo.
Como é triste a expectativa
Na extática hora
Altiva e clemente.
Hora em que despeço-me de ti
No momento imaginário da noite
E que, no entanto, sinto a felicidade
De que vem a aurora
seguinte,
E que verei teus olhos
Novamente com teu
Corpo que induz
A perca do norte
E que não
Temo a morte
Que nem os astros
Podem aplacar minha vontade
E o desejo
De te chamar de linda
Em todas as noites e horas
E dias
Ao teu toque,
Moça de olhos
De estrela vertente
Que teus olhos
Me lembram a noite
E teu sorriso
Me lembra a corrente de Andrômeda
E por isso
Que és minha estrela
A qual tem luz vertente,
Priscila
Ah, esse desejo
Trágico de te ver reluzir
À minha frente
Depois do poente
E ter vã a esperança
De te ver cadente
Aos meus lábios,
Estrela minha
De luz vertente,
Moça da estrela vertente
terça-feira, 13 de março de 2012
Não mais agora.
“...E te amo, e te amo, e te
amo, e te amo...”
– Vinicius de Moraes, O
Mergulhador.
Por mais que agora tudo te aborrece o que digo
Talvez haja poesia que não te recite,
Mas que talvez você acredite no doce amigo –agora-,
Mas que talvez você acredite no doce amigo –agora-,
Que te fala na doce voz, de frases versadas
E que muito não volte a sentir,
Pois dizer de boca éramos calados,
Fadados a transmitir aquilo com olhos – e agora -,
Te enamorar com próprios amores estarrecidos
Atracados numa baía tranqüila de seu colchão na sala
E vigiarmos loucos, loucos, loucos de beijinho
Você fugindo para todos os lados – mas agora –
Lembrar, em todo caso, de toda infância inventada.
E não há chance de proclamar em sobriedade
A idade já escapa meus olhos
E tudo foi-se de menino – agora pouco-,
E surpreendentemente te dizer, mais que insano,
Sob a vontade de te pegar em qualquer lado da casa
E gritar para o mundo todo que te amo, e te amo, e te amo, e te amo...
- não mais agora...-
quinta-feira, 8 de março de 2012
Uma
Própriamente dito,
Eu cansei, eu sei
É estranho,
Tão de repente, assim
Comigo.
Logo eu que as amo,
Que faria tudo por elas,
Eu cometeria um crime,
Eu mataria pessoas,
Mas hoje, agora,
Uma, somente uma,
Diante de um sorriso de verdade
Sem metáforas, sem luas,
Somente dentes e puramente lábios
Só lábios, nada mágico,
Apenas superficial, existencial,
Único!
Eu só queria uma, diante de mim
Sem teatro, sem livros, de verdade
Longe de tudo, mas perto de lábios.
Saber, somente para saber
O que é esse músculo em meu peito
Eu gostaria de somente uma,
Não precisa ser linda,
Mas que alguém me escute.
Eu
Só
Queria
Dizer
Uma
Palavra
Nesta
Poesia.
Yasmin
Desenhando-te, quero beijar-te aqui.
Te escrevo justamente por querê-la aqui,
Para ver o que acontece...
Eu sei que não é assim que se escreve,
Mas eu quero falar de começo de seus cabelos;
É como um tesouro que eu queria agarrar,
Eles descem teu rosto, enchem e terminam mechas
Delicadas no pescoço de boneca
E por falar em boneca...
O rosto, meio de lado, inclinado...
Está séria... como eu quero beijar-te...
Então, não é apenas isso,
É que há uma rosa em seus lábios,
Uma ternura que me agrada,
Uma verdadeira delicadeza nisso tudo,
Que eu adoraria saber a fragância
Um ou dois centímetros deles
E depois, de vigilância, te olhar
Da boca para os olhos
E deixar minha mão acariciar,
Meu rosto acariciar,
Tirar seus foninhos
E te dizer que pensatriz desta maneira
É linda... por mais que tudo seja disconexo
E te faria um poema disconexo
Só pra dizer-te,
Que queria seus lábios de rosa,
A mecha de seu cabelo
E seu rostinho inclinado...
Eu sei que não é assim que se escreve.
Brincadeira III
Mais um poema
Eu saio da vida boêmia
E viro bebum de esquina.
Deixa para lá, essa mania
De que eu devo escrever
Todos os dias,
Porque logo, não haverá mais dias
E só vai haver poesias na vinha vida.
Enquanto isso, meus melhores amigos, meus melhores leitores se deleitam num bar, jogam bilhar, e eu nunca perco essa porra de rima que aparece nas minhas frases, sem crazes, às vezes de propósito... Tsc, chegem logo! Eu, como a chuva lá fora, pretendo obrigar alguém a se secar, meus melhores amigos-leitores.
Versos molhados
Poema antigo
Quantas fazem glop glop agora?
Galopam cavalos marinhos e razam aves brancas
Mas, me diga, quando haverá uma nova hora?
O céu refletido já é pútrido e trava as barcas.
Foi a origem de tudo, certa vez
Dependemos dela, agora
Acho que será o fim, talvez
Se toda ela for embora
Quero ser transparente e límpido
Mas os versos são escassos e feios
Leia a branda superfície em raso nítido
As máquinas mortíferas estão sem arreios
Notou, já, sua falta?
Não digo da água, pobre humano
Falo da sua, que mata
A tí mesmo, seco, em doce paraíso artesiano.
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